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FUTURISMO

O futurismo foi um movimento artístico com origens italianas que pretendeu atacar o tradicionalismo político e cultural de uma Itália letárgica, e portanto desajustada de um dinâmico início de século.

Marcadamente nacionalista, o futurismo passou por duas fases: a primeira de 1909 a 1916 (ano em que morre o inspirador deste movimento artístico, Boccioni); e a segunda fase (entre 1918 e 1944)  já sobe a orientação de Marinetti que vai conduzir o futurismo a posições irremediavelmente ligadas a um nacionalismo exacerbado. Facto que explica a posterior adopção da estética futurista como arte oficial nacional, por parte de Mussolini. 

Através de uma arte oratória eloquente, baseada na agressividade verbal, os futuristas proferem inúmeros discursos - muitas vezes acompanhados de "ruidismo" -, fazendo a apologia das cidades, da velocidade e da máquina. Para os artistas futuristas, o automóvel de corrida era "mais belo do que a Vitória de Samotrácia", pelo que esta vai ser uma "arte-acção" em que os raios de cores vivas evocam turbilhões de ar provocados pela velocidade das máquinas.

Tal como no cubismo, também os artistas futuristas tentaram exprimir nas suas obras a relação espaço-tempo.  Mas enquanto o pintor cubista circulava à volta do objecto em busca dessa quarta dimensão, os futuristas não pretendem representá-la, mas sim os efeitos do seu ritmo.

Baseando-se nas descobertas de Rontgen sobre os raios X, e nas pesquisas de Muybridge e Maurey sobre a decomposição do movimento, o futurismo tentou desdobrar e multiplicar as formas a fim de sugerir a vertente cinética do tempo e da velocidade.

Quando Malevitch afirmou que "os novos movimentos artísticos só podem existir numa sociedade que tenha assimilado o tempo da grande cidade, a qualidade metálica da indústria", estava-se  no início do século XX,  assumindo-se, então, definitivamente a entrada na "era da máquina". Apesar de se inspirarem na máquina, a originalidade dos futuristas resultou do interesse deles não pela máquina em si  mas pelos seus efeitos, que estes artistas tentaram exprimir, criando a impressão de ritmo e velocidade.

Pelas suas posições nacionalistas e pró-fascistas, e também por assumirem uma postura favorável à guerra, os artistas futuristas foram seriamente criticados por outros artistas. Mas foi a realidade cinzenta das duas Guerras que ajudou este movimento colorido a abandonar um optimismo cego, dissolvendo-se os ideais futuristas num mar de desilusões.

O potencial estético do futurismo reflectiu-se: de modo efémero, na Rússia; no vorticismo; mais tarde no grupo  "Blaue Reiter"; e depois da Segunda Guerra Mundial, com a criação da aeropintura.

 

Manifestação Patriótica

Giacommo Balla, Manifestação Patriótica, 1915.

Nesta obra, carregada de um optimismo cego, as linhas de força pretendem atrair o apoio do povo italiano relativamente à Primeira Grande Guerra. Esta atitude nacionalista dos artistas futuristas italianos é, sem dúvida, representativa da primeira fase do futurismo.

 

   
Formas Únicas na Continuidade do Espaço

Umberto Boccioni, Formas Únicas na Continuidade do Espaço, 1913.

Este conceito de escultura espacial materializa de forma inequívoca os princípios estéticos defendidos pela corrente futurista.