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FAUVISMO

No início do século XX, a Europa vai ser palco do desenvolvimento de importantes movimentos artísticos que, apesar de assumirem variadíssimos caminhos estéticos, têm um objectivo comum: romper com a ordem clássica dos séculos precedentes.

A renovação pictórica que estas vanguardas artísticas perseguem surge,  no plano da historiografia, como o reflexo de um mundo em mudança, marcado pelas incertezas sociais provocadas pela expansão demográfica e pela revolução de costumes, ou ainda por revoluções científicas como a teoria da relatividade de Einstein (1905), que veio alterar a posição do homem perante o universo, assim como a sua noção de espaço e tempo.

Essa efervescente procura e afirmação de diversos ideais resulta no constante fraccionamento das correntes artísticas, denominadas por uma infinidade de "ismos" que lutam contra a mediocridade da arte académica. Esta diversidade de vanguardas artísticas que se multiplicaram, principalmente na primeira metade do século XX, adoptaram como único fundamento comum: por um lado, a transformação radical que atingiu as relações entre arte e a sociedade; e por outro lado, a evidência de que as várias formas seculares de ver o mundo estavam desajustadas, pelo que novas vias de representação deveriam ser encontradas.

A exigência de modernidade num tempo de progresso contínuo obriga a que, sistematicamente, cada inovação no modo de exprimir uma época supere as que a precederam nessa infidável procura de novas vias de representação da "expressão de uma época".

Por não haver consenso sobre o que siginificava ser a "expressão de uma época", não havia qualquer lógica comum às inúmeras maneiras de exprimir a modernidade, pelo que foi possível a coexistência de incontáveis escolas e estilos artísticos, quase sempre efémeros.

A Europa, especialmente França que assumira uma relativa prosperidade económica, foi o "berço" dessas revoluções estéticas.

Nesta época, as retrospectivas de Van Gogh (1901 e 1905), e sobretudo as retrospectivas de Cézanne (1904, 1905 e 1906), revelar-se-ão altamente estimulantes para um grupo de pintores que causará escândalo no Salão de Outono de 1905: os fauvistas, produtores da primeira revolução artística do século XX.

Segundo Camille Mauclair, o fauvismo foi "um frasco de pintura atirado à cara do público", pois os quadros eram elaborados em "aplats" (aplicações lisas de cores puras), baseados nas leis de contraste simultâneo, prescindindo assim das velhas técnicas de contorno e de claro-escuro.

Pela recusa das cores reais e pela utilização selvagem da cor nos quadros destes pintores, o crítico de arte Louis Vauxcelles, ao visitar o Salão de Outono de 1905, vai designar estes artistas como" feras" (fauves).

Quase todos franceses (Matisse, Derain, Braque, Marquet, Vlaminck, Dufy, etc.), estes artistas exprimem uma alegria de viver, condensando nas suas obras as emoções do pintor, ainda imunes ao  tragedismo das grandes guerras do século XX.

Apesar deste grupo de pintores ser maioritariamente composto por franceses, as suas experiências pictóricas e a sua mensagem de libertação do artista relativamente às regras clássicas de representação, rapidamente atingem projecção internacional. 

Acima de tudo, o fauvismo nega as correntes artísticas do século anterior. E, embora este movimento se extinga logo (em 1908), ao afirmar a autonomia da cor na representação do espaço, esta corrente artística vai abrir caminhos que serão posteriormente aprofundados, segundo diversas tendências estéticas.

 

L'Estaque

André Derain, L'Estaque, 1905.

Estilo fauvista puro: o contraste da dominante vermelha com a complementar verde permite efeitos de avanço e recuo de planos.