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EXPRESSIONISMO

Paralelamente ao fauvismo, desenvolve-se na Alemanha, desde 1905, o movimento expressionista que surge no desenvolvimento do terceiro movimento de Secessão (Sezession: reacção anti-academicista desencadeada por artistas dissidentes austríacos e alemães).

Marcados por uma "cólera existencialista selvagem" (Nietszche), os pintores expressionistas apostam na exaltação desses sentimentos, denunciando a alienação e a trágica solidão do Homem no universo, através de uma linguagem plástica imediata e agressiva. O expressionismo, ao tentar exprimir as emoções humanas, adopta uma técnica de subtil deformação do rosto para mostrar a psicologia íntima do modelo, assumindo uma subjectividade anti-racionalista que se opõe ao cientismo e ao impressionismo.

Entre os pintores expressionistas distinguem-se: inicialmente, Oskar Kokoschka; Edvard Munch; e Ernst Ludwig Kirchner; e posteriormente (já no movimento Die Brucke), Emil Nolde; George Grosz; Otto Mueller; Max Pechstein; e Otto Dix.

À semelhança do fauvismo, também o expressionismo vai eliminar a perspectiva renascentista, utilizando contrastes violentos de cores puras na construção dos quadros, mas a "joie de vivre" fauvista é substituída por uma carga psicológica pessimista, própria do carácter visionário assumido pelos artistas expressionistas. Nas obras expressionistas a figura humana solitária e desamparada expressa inquietações universais e as angústias da época que precedeu a Primeira Grande Guerra.

Nesta altura - entre 1897 e 1914 - opera-se na Alemanha o "grande salto em frente", fruto de um notável progresso industrial que marca a evolução da sociedade alemã. O número de operários do Ruhr aumenta em 90%, formando um grupo social que sofre condições de vida duríssimas, e essa realidade vai desencadear movimentos de solidariedade socialistas.

Nesse contexto, surge um grupo de artistas da corrente expressionista cujas pesquisas estão intimamente ligadas às tensões sociais da época: é o movimento Die Brucke (a ponte), liderado por Kirchner. Estes artistas instalam os seus ateliers em bairros operários, assumindo uma atitude comunitária e de difusão popular da arte. Como tal, os pintores expressionistas propõem-se fazer uma abordagem universal dos problemas interiores do homem, para facilitar a introdução da arte no seio das realidades sociais.

A execução das obras expressionistas não obedece a qualquer sistematização estética, baseando-se unicamente na sensibilidade do artista, o "Einfuhlung". Esta atitude dos pintores expressionistas não é alheia ao estudo então publicado por Freud (Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade, 1905) que faz uma análise aprofundada das nevroses, pondo em evidência a importância das pulsões no comportamento humano.

Durante a década de 1910 este movimento artístico entra em dissolução. No entanto, muitos dos seus membros permanecem fieis ao expressionismo, fundando mais tarde (1925) a Nova Objectividade (Die Neue Sachlichkeit).

Pelas suas experiências de readaptação da expressão artística às transformações sociais, e pela sua atitude política de empenhamento à esquerda, estes artistas foram vítimas das perseguições nazis, vendo muitos dos seus quadros apreendidos como "arte degenerada".

 

Auto-retrato com Dedos Afastados

Egon Schiele, Auto-retrato com Dedos Afastados, 1911.

Apesar de alguns vestígios ligados à sua anterior proximidade com a Arte Nova, o artista cria aqui uma obra assumidamente expressionista. Inspirando-se na psicanálise, retracta uma procura obsessiva de identidade e a incerteza angustiante sobre a existência humana.