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ARQUITECTURA

No desenrolar do processo evolutivo da arquitectura do século XX, há que recuar até meados do século XIX  para assinalar um fenómeno arquitectónico isolado e precoce, mas digno de referência pela sua originalidade: a Escola de Chicago.

Esse "estilo americano" - que simplifica os aspectos decorativos e valoriza a naturalidade dos materiais - resulta de um dinamismo construtivo impulsionado pelo povoamento massivo do imenso território americano. Nesta azáfama, muitos edifícios são construídos segundo o método do "Balloon Frame" (sistema de pre-fabricação), prefaciando as concepções funcionalistas. No entanto, esta estética arquitectónica revelou-se demasiado avançada paro o seu tempo, não conquistando realmente os americanos, pelo que, na chegada ao século XX, a arquitectura nos Estados Unidos recua mediocremente para modelos neoclássicos.

Se, no novo século, a crescente industrialização gerou novas necessidades urbanas, também a descoberta de novas técnicas e novos materiais foram aspectos fundamentais na evolução da arquitectura contemporânea.

Na história da arquitectura - e do design - do século XX, a Bauhaus é a mais célebre das escolas, e o grupo dos seus docentes e colaboradores inclui muitos nomes fundamentais do meio artístico da época (Klee, Kandinsky, Malevitch, Mies, Moholy-Nagy, Van Doesburg, etc.)

Os antecedentes directos da Bauhaus são: o movimento britânico das Art and Crafts, de William Morris; a Kunstbewerbeschule e a Werkbund, alemãs. Na sua abertura (em 1919) a escola foi fundada por Walter Gropius, em Weimar, e beneficiou de um contexto político favorável que permitiu o desenvolvimento de uma orgânica escolar democrática, baseada na estreita colaboração entre mestres e alunos.

Nessa primeira fase da Bauhaus, Gropius pretende realizar uma passagem não traumática entre o utensílio e a máquina, entre o artesanato e a indústria. Nesse sentido, a organização curricular dos cursos desta escola de arquitectura e design vai privilegiar o permanente confronto entre teoria e prática. O objectivo dos cursos era formar "uma nova comunidade de artíficies sem distinção de classe(...) Juntos concebemos e criamos o novo edifício do futuro, que abarcará arquitectura, escultura e pintura numa só unidade e que será um dia erguido para o céu pelas mãos de milhões de trabalhadores como símbolo de cristal de uma nova fé"(Gropius,1919).

Em reacção ao ideário reformista da Bauhaus, desenvolvem-se na  sociedade alemã grupos descontentes que vão mover contra a escola com uma forte oposição política, levando ao seu encerramento. Mas no mesmo ano em que encerra em Weimar (1925), a Bauhaus reabre em Dassau -  num meio menos conservador.

Nesta segunda fase da escola, foi fundamental a nova direcção assumida por Mies Van der Rohe (desde 1928), que vai imprimir um novo ritmo ao ensino aí praticado, valorizando as novas tecnologias e os novos materiais. É neste âmbito que são criadas as célebres cadeiras de Marcel Breuer, em tubo metálico, inaugurando uma estética completamente nova que alia a criatividade à funcionalidade.

Mas foi, sem dúvida , no campo da arquitectura que os artistas da Bauhaus se destacaram - reequacionando e rejeitando velhos princípios de edificação - no sentido de aumentar a operacionalidade dos espaços arquitectónicos. Símbolo dessa reformulação da prática arquitectónica é a nova sede da Bauhaus (um projecto de raiz), cuja construção encerra definitivamente a polémica entre decoração e função, criando uma obra emblemática da arquitectura funcionalista.

A emergência do poder nazi impossibilita a continuidade deste instituto que - a funcionar em Berlim desde 1930 - encerra as suas portas (1933), em consequência dessa viragem política na Alemanha. No entanto, o "estilo Bauhaus" sobrevive nos espírito dos seus mestres e alunos, muitos dos quais transportam essa nova estética funcionalista para lá do oceano.

Na génese da arquitectura funcionalista europeia destacam-se alguns artistas que ousaram construir obras concebidas com o intuito de adaptar o edifício aos fins a que se destina, valorizando todos os materiais de construção (vidro, ferro, alumínio, betão, etc), sem recorrer ao "make-up" decorativista da Arte Nova. As grandes superfícies despidas de adornos, a simplicidade das suas linhas geométricas e as preocupações com a habitabilidade dos espaços, são princípios fundamentais na concepção de uma arquitectura funcional. Também os condicionalismos urbanísticos são definitivamente integrados no processo de "arquitectar espaços".      

Partindo do seu pavilhão de Barcelona(1929) - claramente influenciado pelo suprematismo (movimento que derivou do cubismo) - e com a intenção de rentabilizar o espaço das cidades, Mies Van der Rohe opta pela construção vertical, que aprofunda numa estética purista de arranha-céus em vidro.

Os novos imperativos industriais e demográficos vão reflectir-se também em toda a obra de Le Corbusier, que tenta resolver as questões sociais do urbanismo (higiene, conforto, funcionalidade), imprimindo um espírito social na cidade, através de uma arquitectura igualitária. Le Corbusier não ambicionava criar obras-primas, preocupando-se mais em descobrir o modelo de célula habitável funcional, que representasse uma regra na arte de construir espaços para um novo homem, num novo século.

Desenvolve-se assim, desde os anos trinta, um estilo arquitectónico marcado pelo purismo de Mies Van der Rohe e pelo geometrismo funcionalista de Le Corbusier: o Estilo Internacional – assim designado desde os anos cinquenta. Esse estilo baseado na conquista da transparência  pelo vidro, aliado ao betão e ao aço, vai influenciar várias gerações de arquitectos de diferentes partes do mundo, nomeadamente dos Estados Unidos.

No entanto, paralelamente à estética funcionalista, distinguiu-se um arquitecto americano – Frank Lloyd  Wright – que opta por um tipo de arquitectura orgânica. As suas construções (como a  famosa casa da cascata) apresentam estruturas geométricas e materiais simples, respeitando a escala humana e o enquadramento natural.

 

Walter Gropius, Bauhaus de Dassau, 1926.

Edíficio emblemático da estética funcionalista, pelo seu rigor geométrico e pela  utilização de  “paredes de vidro”.

 

   

Le Corbusier, Villa Savoye, 1929.

No rigor geométrico das formas exteriores deste edifício, é fundamental a sequência de vidraças, pois, tal como nos arranha-céus de Mies Van der Rohe, também aqui foi respeitado o princípio da transparência. Note-se, ainda, que o “peso” do volume paralelipipédico é aligeirado pelo recurso aos pilares que “soltam” o edifício do solo.